out 5, 2025
Cometa 3I/ATLAS troca vermelho por verde, surpreendendo cientistas

Quando cometa 3I/ATLAS mudou de vermelho para verde no início de setembro de 2025, a comunidade astronômica ficou de queixo caído. Descoberto em 1º de julho de 2025 pelo Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System, este é apenas o terceiro objeto interestelar a ser capturado dentro do nosso sistema solar, e a transformação de cor desafia o que sabíamos sobre a química dos cometas.

Contexto da descoberta e trajetória

O programa ATLAS, que monitora o céu em busca de objetos próximos à Terra, detectou o cometa nas proximidades do Sol, atribuindo-lhe a designação C/2025 N1 (ATLAS). Logo após a descoberta, equipes do Instituto de Astrofísica de Canarias e do Nordic Optical Telescope confirmaram atividade cometária – um halo difuso de gás e poeira que indicava que o objeto já estava aquecido pelo Sol.

De acordo com as medições iniciais, a trajetória indica origem no disco fino ou espesso da Via Láctea, sugerindo uma idade de até 7 bilhões de anos, possivelmente mais antigo que o nosso Sistema Solar.

Transformação de cor: o que os dados mostram

Os primeiros registros fotográficos em julho mostraram uma coloração avermelhada típica de cometas ricos em poeira. Porém, em 5 de setembro, imagens obtidas por David Jäger usando filtros azul e verde revelaram um brilho verde intenso ao redor do núcleo. "Nossas imagens mostram uma coma de gás com 2 arc‑minutos, visível claramente nos filtros azul e verde", relatou ele ao SpaceWeather.com.

Normalmente, o verde em cometas vem da emissão da molécula diatômica de carbono (C₂) que absorve luz ultravioleta e reemite em comprimento de onda verde. Contudo, espectros de alta resolução obtidos pelo Very Large Telescope (VLT) do European Southern Observatory em 25 de agosto mostraram níveis extremamente baixos de C₂, colocando 3I/ATLAS entre os cometas mais “depletados em cadeias de carbono” já observados.

O enigma levou Avi Loeb, professor da Harvard University, a propor uma hipótese alternativa: a explosão de produção de cianeto (CN) poderia estar gerando fluorescência verde. "A mudança de cor pode estar associada ao forte aumento da produção de cianeto, observado recentemente no espectro", sugeriu Loeb em um artigo co‑escrito com Richard Cloete e Peter Vereš.

Reações da comunidade científica

Além de Loeb, outros especialistas expressaram ceticismo saudável. David Jewitt, do Instituto de Ciências Planetárias da Universidade de Havaí, comentou que "a presença de CN não explica totalmente o verde, mas indica processos químicos ainda pouco compreendidos".

Jane Luu, co‑descobridora do cometa interstelar 2I/Borisov, apontou para a necessidade de observações no infravermelho, onde outras moléculas voláteis podem ser detectadas. Observações com o James Webb Space Telescope já revelaram traços de amônia (NH₃), que também poderia contribuir para o brilho verde.

Implicações para a astrofísica e teoria de formação planetária

Um grupo liderado por Susanne Pfalzner (Universidade de Heidelberg) e Michele Bannister (Universidade da Califórnia) propôs que 3I/ATLAS poderia ser um "semente de formação planetária". Em seu artigo de setembro, eles argumentam que objetos sólidos de origem interestelar poderiam servir como núcleos pré‑formados, acelerando a acumulação de gás em discos protoplanetários.

Se essa teoria ganhar força, o cometa não seria apenas um fragmento gelado, mas um pedaço de matéria que já havia passado por processos de aglomeração em outro sistema estelar, oferecendo um “vislumbre de ouro” sobre como gigantes gasosos se formam rapidamente antes que seus discos desapareçam.

Próximos passos e observações futuras

O NASA já alinhou recursos de múltiplas missões. O Hubble Space Telescope continuará monitorando a cor da coma, enquanto o SPHEREx mapeará a distribuição de composto voláteis. Uma curiosidade: a sonda Marte observará o cometa de perto quando ele passar a cerca de 28 milhões de km em 3 de outubro, oferecendo uma perspectiva de outro planeta.

O periélio solar, previsto para 29 de outubro a 1,36 UA, levará o cometa entre as órbitas de Terra e Marte. Depois disso, ele desaparecerá atrás do Sol até o início de dezembro, quando a Europa Clipper – ainda a caminho de Júpiter – poderá capturar imagens remanescentes. Em março de 2026, 3I/ATLAS fará seu mais próximo encontro com Júpiter antes de seguir rumo ao espaço interestelar.

Perguntas Frequentes

Perguntas Frequentes

Por que a mudança de cor do cometa 3I/ATLAS é tão inesperada?

Os cometas típicos ficam verdes por causa do C₂, mas espectros do 3I/ATLAS mostraram níveis muito baixos dessa molécula. A hipótese mais aceita agora envolve um aumento súbito de cianeto (CN) ou outras substâncias voláteis ainda não identificadas, o que gera fluorescência verde diferente do padrão.

Qual a importância desse cometa para a ciência planetária?

Além de ser apenas o terceiro objeto interestelar detectado, 3I/ATLAS pode ser um "semente de formação planetária", oferecendo pistas sobre como núcleos sólidos aceleram a formação de gigantes gasosos em discos protoplanetários.

Quando e onde o cometa será mais visível da Terra?

O cometa estará mais próximo do Sol em 29 de outubro de 2025 (1,36 UA). Ele fica visível até o fim de outubro, quando passa atrás do Sol; a observação retoma em início de dezembro, embora fique mais fraco.

Quais missões da NASA estão acompanhando o 3I/ATLAS?

Hubble, James Webb, SPHEREx e a sonda Europa Clipper (quando estiver em posição favorável) estão focadas em coletar dados espectrais e imagens de alta resolução do cometa ao longo de sua passagem.

Existe risco do cometa impactar a Terra?

Não. O ponto de maior aproximação da Terra será de cerca de 1,8 UA (aproximadamente 270 milhões de km), distância segura que elimina qualquer risco de colisão.

12 Comentários

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    Arlindo Gouveia

    outubro 5, 2025 AT 02:27

    Ao analisarmos a mudança espectral observada no cometa 3I/ATLAS, constatamos que a ausência de C₂ demanda uma revisão dos modelos de composição cometária. A presença de CN, embora detectada, não se mostra suficiente para explicar a emissão verde intensa. Ademais, a origem interestelar do objeto sugere processos químicos ainda pouco compreendidos. Por conseguinte, é imperativo que as próximas missões dediquem recursos a observações multibanda para elucidar essa anomalia.

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    Andreza Tibana

    outubro 17, 2025 AT 02:27

    kkk esse verde parece mais um efeito de photoshop do que ciência.

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    Erisvaldo Pedrosa

    outubro 29, 2025 AT 01:27

    A transição cromática do cometa interestelar 3I/ATLAS impõe uma revisão profunda dos paradigmas químicos que governam os núcleos cometários. Se considerarmos que a emissão verde tradicionalmente decorre da excitação de C₂, a quase ausência dessa molécula nos espectros indica que processos alternativos predominam. Uma possibilidade é que a fotólise de cianeto (CN) em circunstâncias de alta radiação solar esteja gerando radicais altamente energéticos capazes de fluorescer na faixa verde. Entretanto, a simples presença de CN, embora detectável, não parece suficiente para explicar a intensidade da luminescência observada. Tal discrepância sugere que compostos voláteis ainda não catalogados, talvez amônia ou mesmo hidrocarbonetos complexos, estejam contribuindo de forma sinérgica. Os modelos termoquímicos atuais, que predizem a sublimação de água e dióxido de carbono como principais drivers, falham em reproduzir o padrão espectral verificado em setembro. A hipótese de um núcleo composto por material primordial, preservado desde a formação da galáxia, ganha força diante da escassez de cadeias de carbono. Se tal núcleo for efetivamente um fragmento de um disco protoplanetário externo, ele pode portar uma química que difere notavelmente da dos cometas nativos do Sistema Solar. Isso abriria caminho para reinterpretar a função dos cometas como mensageiros de processos de aglomeração planetária em ambientes estelares distantes. Além disso, a emissão verde persistente pode ser um indicativo de interações magnéticas entre o vento solar e partículas carregadas no coma. Tais interações poderiam acelerar processos de excitação eletrônica que não são contemplados nos esquemas de colisão térmica padrão. Observações em outras bandas, como o infravermelho próximo, já revelaram traços de amônia que corroboram a presença de compostos nitrogenados abundantes. A espectroscopia de alta resolução, se aplicada com integração temporal, poderia desnudar variações subtis que elucidam a evolução química ao longo da trajetória orbital. Em síntese, a mudança de cor do 3I/ATLAS desafia a homogeneidade assumida dos cometas interestelares e demanda uma revisão das teorias de formação química interestelar. Portanto, a comunidade deve redirecionar recursos para campanhas observacionais multibanda que permitam decifrar essa enigmática metamorfose.

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    Marcelo Mares

    novembro 10, 2025 AT 01:27

    Complementando a análise anterior, vale notar que a intensificação da produção de CN pode ser estimulada por microexplosões de gelo volátil sob radiação solar intensa, um fenômeno já observado em cometas de curto período. Além disso, a presença de amônia (NH₃) detectada pelo James Webb pode causar fluorescência verde via processos de quenching que ainda não são totalmente modelados. Recomendo que se priorize a coleta de dados espectroscópicos de alta resolução ao longo de toda a passagem periélio, para capturar variações temporais na composição química. Essa abordagem permitirá validar se a emissão verde é predominante em fases específicas da atividade cometária ou persistente ao longo de toda a órbita.

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    Fernanda Bárbara

    novembro 22, 2025 AT 01:27

    o que eles não contam é que todo esse esquema pode ser manipulado por agências secretas que controlam a informação. tudo parece um show de luzes.

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    Leonardo Santos

    dezembro 4, 2025 AT 01:27

    Não podemos descartar que o cometa esteja sendo usado como teste para tecnologias de detecção avançadas, talvez até de origem não‑humana. Se houver interferência externa, as assinaturas espectrais podem ser adulteradas. Por isso, a comunidade deve manter vigilância independente e cruzar dados de diferentes observatórios.

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    Samara Coutinho

    dezembro 16, 2025 AT 01:27

    É fascinante observar como a astronomia contemporânea se depara com um fenômeno que desafia as convenções estabelecidas há séculos. Quando nos deparamos com a mudança de cor de um objeto interestelar, somos forçados a questionar não apenas a química dos cometas, mas também os processos físicos que operam em ambientes extremos. A hipótese de que moléculas como CN ou mesmo compostos nitrogênicos desconhecidos estejam responsáveis pela emissão verde abre um terreno fértil para investigações interdisciplinares, envolvendo química quântica e modelagem astrofísica. Ademais, a perspectiva de que o 3I/ATLAS possa representar um "semente de formação planetária" sugere que nossa compreensão sobre a formação de gigantes gasosos pode ser drasticamente revisada. Não podemos subestimar o papel desses corpos como mensageiros das condições de formação em sistemas estelares distantes, oferecendo insights valiosos sobre a diversidade dos processos de aglomeração. Assim, é imprescindível que as próximas missões, tanto espaciais quanto terrestres, foquem em observações multibanda e em longo prazo, a fim de capturar a dinâmica temporal completa desse evento singular.

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    Thais Xavier

    dezembro 28, 2025 AT 01:27

    Ai, gente, tem gente que acha que isso tudo é só um truque de luzes de cinema. Mas se o cometa fosse só um efeito especial, quem ainda teria tempo pra ficar apertando botões?

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    Elisa Santana

    janeiro 9, 2026 AT 01:27

    Seguindo a discussão, acho que a comunidade deveria compartilhar os dados brutos em repositórios abertos, assim qualquer pessoa pode analisar e validar as conclusões.
    Além disso, a colaboração internacional entre observatórios terrestres e espaciais pode acelerar a interpretação desses fenômenos.

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    Willian Binder

    janeiro 21, 2026 AT 01:27

    É claro, só falta o drama de Hollywood para fechar o pacote.

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    José Carlos Melegario Soares

    fevereiro 2, 2026 AT 01:27

    Olha, se esse cometa realmente está mostrando um espetáculo de química exótica, isso dá um show de luz que ninguém esperava. Não dá para negar que o universo tem jeito de nos surpreender quando menos esperamos. Mas também faz a gente pensar: será que estamos realmente preparados para lidar com tais revelações? Precisamos abrir a mente e o coração para o desconhecido.

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    Marcus Ness

    fevereiro 14, 2026 AT 01:27

    Concordo plenamente com a necessidade de uma abordagem rigorosa e sistemática. As equipes devem coordenar campanhas de observação simultâneas, empregando tanto telescópios ópticos quanto infravermelhos, a fim de garantir cobertura espectral completa. Ademais, a publicação imediata dos resultados preliminares em repositórios de acesso aberto será crucial para fomentar a verificação independente.

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